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28 de janeiro de 2012
LIVROS, MANUAIS E REVISTAS DOS CAMINHOS DE FERRO
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12 de janeiro de 2012
O ANTIGO RAMAL DO SEIXAL
O Comboio na Azinheira nos Trilhos da Memória
O Ramal do Seixal, originalmente conhecido como Ramal de Cacilhas, é um troço ferroviário desactivado, que ligava as estações do Seixal e do Barreiro.
Este troço foi a única parte concluída do projecto do Ramal de Cacilhas, que planeava a ligação entre o Barreiro e Cacilhas, onde seria construído uma estação intermodal, que servisse os transportes ferroviário e fluvial, de forma semelhante à do Barreiro.
Subsistem as estações e partes do leito de via e de uma ponte, no troço entre o Barreiro e o Seixal.
Em 1923, o vapor proveniente do Barreiro apitava pela primeira vez sobre a ponte metálica que o ligava ao Seixal através da Azinheira. Tratava-se da inauguração de uma obra cuja discussão remontava aos finais do século XIX e que chegou inclusive a animar diversas sessões parlamentares nos últimos anos da monarquia. Manuel d’Oliveira Rebelo, na sua “Monografia do Concelho do Seixal”, dá-nos conta do acontecimento: “As comunicações do Seixal com o resto do País beneficiaram muito com a exploração da linha férrea, cuja inauguração se efectuou em 29 de Julho de 1923, com a assistência do Chefe do Governo, Eng.º António Maria da Silva.
A primeira ligação Lisboa-Barreiro- Seixal fez-se pelo vapor “Europa”, que saiu da ponte do Terreiro do Paço às 11.30, com os membros do Governo. Ao chegar ao Barreiro, o Eng.º António Maria da Silva e a sua comitiva tomaram lugar no comboio inaugural que se encontrava vistosamente decorado, seguindo nele até ao Lavradio e daqui para o Seixal, onde chegaram depois de uma curta paragem na ponte de construção metálica que atravessa um dos braços do Tejo.
Assim que o comboio chegou à estação do Seixal a multidão exultou de alegria, ao mesmo tempo que as bandas da Timbre Seixalense, União Seixalense e Alto Pina executavam os acordes do hino nacional.
Ao penetrar no edifício recebeu o Governo os cumprimentos das autoridades locais, tendo usado da palavra Alfredo dos Reis Silveira, na qualidade de presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal, e Joaquim dos Santos Boga, como presidente do Senado Municipal, agradecendo ambos o importante melhoramento que constituía a ligação do Seixal à rede ferroviária nacional.
Realizou-se um cortejo e, na Associação Comercial e Industrial, o Presidente do Ministério saudou a população seixalense por ter visto realizada, naquele esplendoroso domingo de Verão, uma das suas maiores aspirações”.
Como Era...
O Ramal do Seixal foi a única parte que chegou a ser construída da projectada ligação entre o Barreiro e Cacilhas, com ligação a Lisboa por via fluvial.
Porém, não chegou a alcançar meio século de existência uma vez que a mesma foi desclassificada e a circulação suspensa após o derrube da ponte metálica que fazia a ligação entre o Barreiro e o Seixal, provocado pela colisão do navio “Alger”.
Em Setembro de 1969, aquele navio dirigia-se para a Siderurgia Nacional, rebocado por duas lanchas, quando embateu contra um dos pilares da ponte, levando à sua queda numa extensão aproximada de uma centena de metros.
A partir de então, o tráfego passou a ser feito por via rodoviária através de Coina o que, para além de outro inconveniente, representou um acréscimo brutal no custo do transporte na medida em que os utentes, habituados a pagar 80 centavos, viram bruscamente encarecidos os preços para 2$50.
Entre as pessoas que foram afectadas com a falta deste meio de transporte contam-se os militares e os operários que então prestavam serviço na Azinheira e tomavam lugar no comboio, num pequeno apeadeiro que existiu no local onde se encontra a antiga bilheteira.
Entretanto, à excepção do tramo que foi danificado aquando do abalroamento pelo navio “Alger”, a ponte que ligava a Azinheira ao Barreiro foi instalada em Alcácer do Sal, sobre o rio Sado, passando a servir o transporte rodoviário. De igual forma, a ponte que existiu sobre o rio Judeu, no Seixal e que também se destinava à ligação ferroviária, foi levada para Alcácer do Sal onde serve a linha-férrea.
Decorridas quatro décadas desde o abandono daquela ligação ferroviária, eis que o património edificado a que ainda foi possível acudir se encontra preservado graças à intervenção do Instituto Hidrográfico e da Marinha, para memória das gerações vindouras e como testemunho de uma época, valorizando desse modo a arqueologia industrial do Seixal e do próprio país.
A antiga bilheteira já recuperada
Da “Linha do Sul” fazia parte o Ramal do Seixal que atravessava as Instalações Navais da Azinheira e do qual ainda se preserva a antiga bilheteira que servia o pessoal que ali trabalhava.
Extracto do Plano Hidrográfico do Porto de Lisboa de 1930.
Os simpáticos tractores Sentinel também foram utilizados no ramal do Seixal, por sinal o seu único serviço na Região Sul. Na imagem o 1175 nas suas elegantes cores originais (azul, amarelo, preto e vermelho)
FOTOS E TEXTO DE:Artigo “O Comboio na Azinheira nos Trilhos da Memória” publicado no nº110 do “Hidromar” (publicação do Instituto Hidrográfico)http://www.hidrografico.pt/hidromar-dezembro-2010.php
Algumas das fotos são de de autores desconhecidos, peço a colaboração de todos os visitantes detentores de fotos aqui mencionados, que se identificassem para menciona-los neste blog.
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