14 de outubro de 2011

O CAMINHO DE FERRO E O BARREIRO


Em 1854 foi adjudicada a um grupo de capitalistas, dos quais se destacam os nomes de Tomás da Costa Ramos e José Pedro da Costa Coimbra, a construção do ramal ferroviário ao Sul do Tejo. Sete anos mais tarde (1861) é inaugurada a Estação de Caminho de Ferro do Barreiro, actuais oficinas da EMEF: «Todo o frontispício é ainda o mesmo desde a sua inauguração, tendo 65 m. de frente, com 16 vãos de janela e portas, três portões e relógio no frontão. O edifício possuía as melhores condições para o fim a que se destinava, apenas o acesso dos passageiros a ele, ou dele para os barcos da carreira [Caís do Mexilhoeiro], é que se mostrava deficiente e muito incómodo».

Do cais do Mexilhoeiro a Estação distavam 2 km, os quais se transpunham pelo areal da praia. As críticas suscitadas por este trajecto foram ultrapassadas quando em 1884 se inaugurou uma nova estação, projectada pelo Eng.º Miguel Pais. A nova Estação terminus ferro-fluvial dotada de um caís acessível possibilitava um transporte mais cómodo de pessoas e mercadorias entre as duas margens.

A implantação do Caminho de Ferro provocou significativas mudanças na estrutura socio-económica do Barreiro. A antiga vila ribeirinha torna-se atracção de muitos operários e suas famílias oriundos sobretudo do Sul do país, que no caminho de ferro encontravam trabalho e aqui se fixaram, deixando marcas muito próprias na cultura ainda hoje identificáveis.
Com os ferroviários desponta a vida operária no Barreiro. Constituem, logo de inicio, um grupo bastante heterogéneo sob o ponto de vista profissional. Organizam-se em torno de dois núcleos principais. O pessoal das máquinas, deslocado em geral de outros pontos do país, formado pela própria empresa, é qualificado e está legado ao movimento das locomotivas, dos vapores e das fragatas. Forma um pessoal itinerante que nem sempre se fixa definitivamente no Barreiro. O pessoal das oficinas, mais estável, igualmente qualificado, é responsável pela manutenção das máquinas ou mesmo, como virá a acontecer mais tarde, pela construção de certas peças e acessórios (por exemplo grandes caldeiras). A estes dois grupos podemos ainda acrescentar uma porção considerável de simples “trabalhadores” da “Via e Obras” de construção civil realizadas nas gares, nos depósitos ou nos armazéns, ou mesmo dos empregados que a Companhia recruta para a construção das linhas de ferro.

Os ferroviários viram ainda a possuir uma sólida estrutura associativa. Logo em 1894, um grupo de operários dos caminhos de ferro constituía a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste. Cerca de dois anos depois, está a funcionar o “Armazém de Consumo” da Caixa de Socorros Mútuos do Caminho de Ferro. A criação do Sindicato do Pessoal dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste, em 21 de Novembro de 1914, a Casa dos Ferroviários “sonho transcendente de uma classe laboriosa” torna-se um facto em 1922. Finalmente, em 1 de Janeiro de 1927, inaugura-se solenemente o Instituto dos Ferroviários do Sul e Sueste, “obra de protecção e educação” de crianças órfãs de ferroviários.
No Barreiro, a classe ferroviária oferece, sem dúvida, um primeiro exemplo local de uma aristocracia operária. Uma vila de pescadores transforma-se progressivamente numa vila industrial e de operários, cujos bens patrimoniais se encontram materializados na primitiva Estação Ferroviária; Estação de Caminho de Ferro do Sul e Sueste; Casa dos Ferroviários do Sul e Sueste; Rotunda das máquinas; Troços e Ramais ferroviários; Depósito de água; Gruas de estação; Armazéns e outras instalações.

TEXTO RETIRADO DE: O Caminho de Ferro e o Barreiro 
«Reservas Museológicas Visitáveis»
www.reservasmuseologicascmb.wordpress.com

A INAUGURAÇÃO E OS PRIMEIROS TEMPOS


É um Barreiro de vinhedos e olivais, pequenas fazendas e grandes quintas, de terras arenosas e pobres, extensas praias fluviais de areia dourada e um rio generoso que os primeiros construtores do Caminho-de-ferro vêm encontrar em 1854/55.

Pequena vila de “belas vinhas, pomares e terras de pão’, segundo um cronista coevo, de pouco mais de quatro mil habitantes (4543, no recenseamento de 1864), virada a norte para o rio Tejo de águas calmas e de profundos esteiros navegáveis, onde subsiste uma importante comunidade piscatória. Nela tinham sido instalados, no início do século XIX, importantes moinhos de. vento, sustentando, juntamente com os pré-existentes moinhos de maré, uma significativa actividade moageira que, com a extracção de sal das salinas, constituem a proto-industrialização na margem esquerda.


O Barreiro é, nesse tempo, local de passagem entre o Sul e o Norte, por isso não espanta a escolha feita pela monarquia para a implantação do início terminal da Linha do Sul e Sueste, de ligação ao Alentejo, e mais tarde ao Algarve. Por aqui se vão escoar, vindos das regiões vizinhas, ou do Alentejo profundo: vinhos, madeiras, trigo, gado, peixe, sal, mel e cera, carvão, cortiça, etc., para a grande metrópole, do outro lado do Tejo.
Mas é a instalação, em 1861, das Oficinas dos Caminhos de Ferro, e de uma comunidade ferroviária imigrante, que inicia verdadeiramente a história industrial e operária do Barreiro moderno. Operários qualificados, técnicos experientes, trazem conhecimentos profissionais e hábitos associativos e culturais, fixam-se na urbe, que vai ganhando nova dimensão humana e social, consequente do novo tipo de relações de produção emergente, com os obreiros vivendo exclusivamente do seu salário.

TEXTO RETIRADO DE: 
Caminho de Ferro e o Barreiro 
«Reservas Museológicas Visitáveis»
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13 de outubro de 2011

OS CAMINHOS DE FERRO


Em Portugal como em todo o Mundo os caminhos-de-ferro eram fundamentais para a economia de qualquer país.

Estas estradas de ferro substituíram durante largos anos os deficientes caminhos que existiam, transportando carga, pessoas e correio.

Em Portugal, ao contrário do que sucede hoje, existiam várias companhias de caminho de ferro, cada uma delas com a sua administração própria e completamente independentes umas das outras. Assim apoiado em documentos consegue-se fazer o levantamento de muitas das linhas e companhias existentes.

O Crescimento das linhas de ferro foi-se fazendo lentamente na 1ª República e a um ritmo inferior ao da Monarquia. Em 1910 existiam cerca de 3.000Km de vias-férreas e em 1926 apenas 3.500Km o que para um período de 16 anos era francamente pouco.

Metade desta rede pertencia aos Caminhos-de-ferro do Estado e a outra parte à Companhia Portuguesa de Caminhos-de-ferro (CP).